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quarta-feira, novembro 04, 2009

Passam-me coisas pela cabeça...

... que secalhar não deviam...
Ultimamente tenho pensado muito na vida, provavelmente até demais (parece que não tenho mais que fazer... mas até tenho). E tenho medo... de tudo e de nada!

Dei comigo a pensar (mais a sério) e se me acontece algo de mal? E se morro e deixo cá os meus filhos sem Mãe? Com quem vão eles ficar? Com o Pai, obviamente, mas será que ele sozinho chega para três filhos? E Eles??? Como ficariam sem mim??? Se agora choram quando por algum motivo não lhes posso dar atenção, como seria se deixassem de me ver??? Sei que o que estou a escrever é horrivel, mas pior é ficar com isto só para mim. Estou a escrever, para ver se esqueço.

Isto é reflexo de várias situações em simultâneo.
Por um lado o medo de apanhar Gripe A antes de levar a vacina. Por outro, pode acontecer-me qualquer coisa que não tenha a ver com a Gripe e me "faça mal". Ainda por outro, o receio de um parto iminente.

Tenho medo que o Miguel nasça prematuro. Tenho muito medo... quando me lembro dos dias que os gémeos passaram na Neo quando nasceram (e felizmente correu tudo bem...). Não tenho medo nenhum de ter mais um bebé em casa, aliás estou ansiosa de chegar a Janeiro para ele narcer. Também ainda não sei como vai ser o parto (provavelmente só saberei na hora, mas detesto a sensação de não saber ao que vou). Também tenho medo de desencadear depressão pós parto, apesar de saber que não "tenho tempo para isso" (também sei que não estou livre) e os meus filhos precisam de mim a 100%, coisa que actualmente já nem têm, porque me custa pegá-los ao colo, porque me sento no chão a brincar ao legos, animais, plasticinas, pollys, bebés, mas depois quase não me levanto (graças á querida dor ciática).

Depois a privação do sono, não que não me deixem dormir, mas todas as noites acordo por volta da 1:00h com vómitos e muita azia, depois porque me doem os ossos das ancas/bacia e sei lá mais o quê. Depois porque um chora e ainda a dormir viro-me de repente na cama para me levantar e fico passadinha com dores na barriga que até parece que algo está a querer descolar-se lá dentro. Quando a coisa acalma o Miguel acorda e não quer aquela posição, e remexe o resto da noite. Quando acordo estou invariavelmente mais cansada do que quando me deito.

Durante o dia a saga com a azia é igual, e se tomo kompensan, tenho azia na mesma. Hoje descobri que já começa a custar conduzir, porque me custa o movimento das pernas/pés que faz dor na bacia e osso púbico.

E depois a ajuda familiar é... nenhuma!!! A minha Mãe só sabe criticar o que faço e o que não faço. Noutro dia tive que ir a uma junta médica, por causa da baixa, e como não sabia a que horas ia sair de lá, fui buscar os miudos ao colégio para os levar para a Avó. Passado uma hora (ainda nem tinha sido chamada) liga-me porque a Maria estava a chorar que queria a Mãe e ela já não sabia o que havia de fazer. E distraí-la??? Eu fiquei num estado de nervos... até me passei! O que vale é que quando eu lá cheguei já lá estava a minha irmã S. a brincar com eles, a M. já não chorava, mas tb não me ligou para me tranquilizar... Enfim...

Nem sequer vem cá a casa seja para me ver ou para dar uma ajuda com os meninos ou mesmo a casa. Nunca se ofereceu para me ajudar a ir as compras... e eu tenho carro podia muito bem dizer: olha vem-me buscar que eu ajudo-te no que puder e depois vens-me trazer (ou o meu Pai também a poderia vir buscar...) Enfim...

Eu desabafo aqui mas na realidade nem me queixo a ninguém, prefiro não me lamentar... afinal, ninguem tem culpa que eu vá ter o terceiro filho... Ai não, não!

Tenho-me lembrado tanto da minha Avó, que ao fim de semana vinha de comboio de Lisboa, ao sábado de manhã, as 8:00h já cá estava, vestia um avental e só parava na segunda de manhã quando se ia embora e ainda deixava uma notinha em cima da mesa para alguma ajuda... Minha querida avó... O que ela trabalhava para nos ajudar (neste sentido; somos 4 filhas,por isso a minha Mãe sabe bem o que custa ter uma casa cheia). Fez isto anos a fio, lembro-me de ela me dar banho, pentear-me secar-me o cabelo e dar-me sopa á boca (eu devia ser muito pequena ainda) e vinha sempre, todos os fins de semana até pouco antes de eu me casar, quando lhe faltaram as forças. Sei que já o fazia antes de eu nascer...